Japão

Devido às suas diferenças culturais e religiosas, o Japão estava no topo da nossa lista dos destinos de férias de sonho. Decidimos visitá-lo em 2016 numa viagem de 10 dias que passou por Tóquio, Quioto e Osaka. Ainda hoje, Tóquio continua a ser uma das nossas cidades de sonho rivalizando apenas com Singapura que visitámos recentemente. Há duas alturas ideais para visitar o Japão, na Primavera, quando as cerejeiras estão em flor e no Outono, quando as folhas das árvores mudam de cor. Como adoramos o Outono e as paisagens marcadas pela mudança da estação, decidimos visitar o Japão no final do mês de Outubro e não ficámos desiludidos, as paisagens eram maravilhosas!

Não vos deixamos aqui um roteiro de viagem, pois o que fazer depende muito dos gostos de cada um e do tempo disponível, mas antes algumas dicas sobre as cidades que visitámos e algumas informações que gostaríamos de ter sabido antes de visitar o Japão e que podem ser úteis.

Tóquio

Recomendamos a visita aos vários bairros de Tóquio. Desde Shinjuku e Shibuya, ambos muito movimentados, com muitas lojas e como uma vida noturna bastante animada, até Asakusa e Ueno, bairros mais típicos que mantêm traços da arquitectura antiga e onde se pode visitar o conhecido templo budista Sensoji (Asakusa), passando por Chiyoda, onde se pode visitar o palácio imperial e Odaiba, uma ilha artificial com edíficios de arquitectura futurista. Para ir até Odaiba, apanhámos um barco em Asakusa para fazer a travessia do rio e ter uma perspectiva diferente da cidade. No regresso, decidimos atravessar a rainbow bridge a pé. Como já era noite, a vista era fantástica e compensou a distância percorrida.

Quioto

Bastante diferente de Tóquio, Quioto mantém um estilo muito tradicional e aqui é possível encontrar alguns dos mais bonitos templos do Japão. Ficámos hospedados mesmo ao lado do bairro de Gion, onde explorámos as lojas de artesanato e nos cruzámos com gueixas. É uma experiência muito diferente da vivida em Tóquio e os dias que lá estivemos não chegaram para ver tudo o que pretendiamos, pelo que ficou, sem dúvida, o desejo de voltar para mais dias.

A partir de Quioto fizémos dois dias de visita a outros locais próximos que recomendamos, Sagano e Arashiyama num dia e Nara noutro. Em Arashiyama é possível visitar a floresta de bambu e a ponte togetsukyo e em Sagano há inúmeros templos com vistas incríveis que valem a pena visitar. Além disso, vale a pena fazer o passeio no Sagano Sightseeing tram pelas bonitas paisagens que podem ser vistas ao longo do rio. Nara é conhecida pelos muitos templos que aproveitámos para visitar e pelo parque de Nara onde os cervos passeiam livremente entre os turistas à espera que estes os alimentem (o parque vende bolachas próprias para os alimentar). Uma curiosidade engraçada sobre estes cervos é que, se os alimentarmos, eles fazem uma vénia.

Osaka

Foi a última cidade do nosso itinerário e aquela onde passámos menos tempo. É conhecida por ser um paraíso para os amantes de comida e quem gosta de compras pode perder a cabeça na região de Shinsaibashi onde há várias ruas cheias de lojas e cafés/restaurantes cobertas por arcadas. Para nós, os pontos altos desta visita foram o castelo de Osaka, os jardins circundantes e os templos e santuários.

Comida e alojamento

Como reservámos com antecedência, conseguimos reservar hotéis a preços que consideramos razoáveis. Em Tóquio ficámos num hotel da cadeia APA muito próximos de uma estação de metro e em Osaka ficámos a cerca de 5/10 min a pé do castelo. Em ambas as cidades pagámos cerca de 70€ por noite, mas em Tóquio o quarto era bastante mais pequeno do que em Osaka. Em Quioto, devido à proximidade do bairro de Gion, o preço que pagámos por noite foi um pouco mais elevado. Na altura não ficámos num alojamento tradicional japonês, um ryokan, porque tínhamos malas de viagem bastante grandes e achávamos que não era possível guardá-las. Viemos a saber mais tarde que, nesses casos, há locais para guardar as malas, pelo que na próxima vez iremos ficar num destes alojamentos para ter uma experiência diferente.

A comida foi um dos pontos altos da nossa viagem ao Japão, experimentámos muitos pratos que não conhecíamos e ficámos grandes fãs de alguns deles. Hoje em dia já é possível experimentar muitos desses pratos em Portugal, mas em 2016 quando visitámos o Japão, apenas o sushi era popular por aqui. Os preços podem variar, mas em média gastámos menos de 10€/pessoa/refeição. Há também vários sítios onde é possível experimentar street food de qualidade com preços ainda mais baixos. A cozinha asiática não é conhecida pelos doces, mas tivémos a oportunidade de experimentar algumas sobremesas feitas com matcha e pasta de feijão que eram muito boas.

Transportes

A rede de transportes no Japão é muito completa e, pelo menos nas cidades onde estivemos, muito eficiente. Apesar de ser um pouco complexa em Tóquio, facilmente nos habituámos e conseguimos utilizar o metro sem dificuldade. Em Osaka foi um pouco mais difícil porque as estações apenas estavam escritas em japonês, no entanto, depois de conseguirmos um mapa em inglês foi bastante fácil. Para as deslocações entre as diferentes cidades utilizámos o comboio bala que foi uma experiência espectacular, atinge uma velocidade incrível e nem nos apercebemos! Antes de chegarmos ao Japão comprámos o Japan Rail Pass, que é um bilhete com tarifas especiais para turistas que visitam o Japão. Há várias modalidades para diferentes prazos e a informação está toda disponível no site http://japanrailpass.net/en/index.html.

Dicas práticas

Língua – Pensávamos que seria mais fácil encontrar pessoas que falassem inglês, mas na realidade, não foi nada fácil. Mesmo em alguns hotéis, o staff apenas falava japonês. No entanto, os japoneses são tão cordiais, simpáticos e prontos a ajudar que isso nunca foi um obstáculo. Para facilitar, nos restaurantes, os menus têm quase sempre imagens dos pratos, pelo que é fácil escolher o que comer. Nos museus e em alguns templos encontrámos guias voluntários que falavam inglês e que nos ajudaram a compreender melhor a cultura japonesa.

Pagamentos – Talvez tenha mudado desde 2016, mas nas cidades onde estivémos tivémos que fazer praticamente todos os pagamentos em dinheiro. A maior parte dos restaurantes não aceitava multibanco e, mesmo encontrar um ATM era um desafio.

Segurança – Nunca nos sentimos inseguros enquanto estivémos no Japão. As casas de câmbio que na maior parte dos países são fechadas e têm muitas vezes seguranças ou polícias à porta, no Japão dão directamente para a rua como se fossem um quiosque que vende revistas. Em alguns cafés, vimos pessoas deixarem os seus pertences em cima da mesa (incluindo a carteira e o computador) enquanto iam à casa de banho sem se preocuparem com possíveis roubos. Foi o primeiro país onde estivémos onde não havia cofre no quarto do hotel.

Outras dicas – Em Tóquio é proibido fumar na rua, excepto nos locais indicados para o efeito e todas as cidades que visitámos estavam muito limpas. Respeitem a etiqueta dos transportes, normalmente há marcações no chão que indicam onde se deve esperar pela chegada do metro e os japoneses respeitam a ordem de chegada. Esperem sempre que os passageiros saiam antes de entrar e tenham atenção à carruagens exclusivas para mulheres em hora de ponta. Não dêm gorjetas, contrariamente ao que acontece em Portugal e noutros países ocidentais, essa prática não é bem vista no Japão. Em alguns locais ainda vão encontrar casas de banho de estilo asiático, mas nas grandes cidades há sempre várias de estilo ocidental (ainda que as sanitas sejam japoneses e tenham uma série de botões para jatos de água e ar). Os hotéis fornecem pijamas de estilo japonês, o que achámos bastante engraçado, e em alguns há dois pares de chinelos, uns para usar no quarto e outros para usar apenas na casa de banho.

Esta foi, sem dúvida, uma das nossas viagens preferidas até hoje. A cultura e as pessoas do Japão deixaram-nos impressionados e superaram todas as nossas expectativas. Gostámos de tudo nesta viagem, desde a organização das cidades, à beleza das montanhas e dos magníficos templos, não esquecendo a magnífica comida e a cordialidade das pessoas.

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